Reinventar a Comunicação Empresarial

Entrevista publicada no site da Pós-Graduação em Comunicação Empresarial da Universidade Federal de Juiz de Fora: http://www.cemp.jor.br/visibilidade/visibilidade.php?id=23
Reinventar a Comunicação Empresarial


Um dos responsáveis pela disciplina “Comunicação digital e seus usos institucionais” no curso de Pós Graduação em Comunicação Empresarial, o jornalista e professor Márcio Ferreira, convidado recentemente do VII Fórum das Comunicações, veio a Juiz de Fora para falar de uma de suas especialidades: mídias sociais e a comunicação nas organizações. Aproveitando a oportunidade, a equipe do CEMP realizou uma entrevista para saber mais de sua experiência profissional assim como suas dicas e opiniões sobre as tendências da comunicação.

CEMP: O que você faz atualmente?
Márcio: Sou professor da Universidade Veiga de Almeida no Rio de Janeiro e professor convidado da pós-graduação em Comunicação Empresarial da UFJF. Faço a assessoria de comunicação de um deputado estadual do RJ. Atuo cuidando de ações comunicativas de empresas do setor naval e da SBE – Sociedade Brasileira de Engenharia Naval. Presto também consultoria de comunicação para a Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro.
CEMP: Fale um pouco de sua trajetória profissional.
Márcio: Comecei em Teresópolis, no interior do Rio de Janeiro, fazendo parte do departamento de projetos e eventos de um jornal chamado “Teresópolis Jornal”. Um dia, cheguei para o diretor e falei que queria escrever sobre um tema que me incomodava: o preço da passagem de ônibus no município. Escrevi e ele publicou. Logo depois, apareceu um novo jornal na cidade chamado “Diário de Teresópolis”. Fui o primeiro repórter deste jornal. Comecei escrevendo em jornal, depois comecei a faculdade em 1990, interrompi em seguida e só me formei em 1997. Quando saí da faculdade fui para uma agência de comunicação corporativa e escrevi no jornal “O Dia” (RJ). Especializei-me na área de energia, para a qual escrevi por muitos anos. Já trabalhava na área de política, então fui prospectar mercado. Coordenei algumas campanhas políticas e departamentos de imprensa de prefeituras. Comecei a dar aulas há uns oito anos.

CEMP: Sua experiência em assessoria de comunicação e de imprensa é diversificada. Como vê o cenário atualmente no país?
Márcio: Cresceu muito. Hoje temos duas demandas a serem analisadas. Uma é a do mercado e a outra é da própria profissão. O enxugamento das redações, o aumento dos cursos de comunicação no país e a falta de vagas para você atuar, no que classicamente se entende como grande imprensa provocou uma terceira via: o caminho das assessorias de imprensa, uma espécie de válvula de escape para esta formação. De outro lado, cada dia mais, aumenta a exigência de que as empresas estabeleçam políticas de relacionamento que só se dão pela comunicação. Trata-se de uma demanda que o RH a administração e o marketing não suprem mais. Há a necessidade de formar profissionais de comunicação imbuídos dos aspectos empresariais para resolver. De cada 100 vagas que surgem, 95 ou 97 são para assessoria. E é o único segmento do mercado que ainda é válido para quem está na faculdade de jornalismo. Você vai ter cada vez menos vagas em redação e cada vez mais vagas em assessoria, formando um profissional que tem que se entender híbrido.
CEMP: De todas as atividades que você fez, por qual você foi mais atraído?
Márcio: Tudo me atrai porque eu gosto da multidisciplinaridade. Tem um texto do Paulo Nassar em que ele diz que os profissionais de comunicação têm que abandonar seus “guetos”. O jornalista não pode mais ser aquele cara que só escreve para o jornal, o assessor não pode ser “o cara” que só manda release, o publicitário não pode ficar fechado no “gueto” só da marca, o RP tem que deixar de ser só “o cara” que “faz festinha”. Todo mundo tem que se imbuir de um conceito que está muito em voga hoje, que é a comunicação 360º. Comunicação é um todo, comunicação não é só a parte. A gente precisa se reinventar, e para se reinventar tem que ser multidisciplinar. O jornalismo não pode ficar atrás também, ele tem que beber da fonte dos blogs, dos twitters, das redes sociais. Tem que entender que a comunicação passa a ser um negócio muito mais personalizado, não é mais um tiro de canhão para acertar uma mosca, é um negócio mais focado mesmo. E esse foco é legal porque acaba multiplicando o seu objetivo que é a divulgação da sua informação. Então o que me atrai, na verdade, é a comunicação.

CEMP: Para você, qual é a importância da inserção das novas tecnologias dentro de uma área de comunicação em uma empresa?

Márcio – Pode ajudar a empresa a construir uma imagem mais sólida perante a um público que muita das vezes é pouco priorizado. O que vemos é que estas novas tecnologias permitem, quase sempre, uma capilaridade de informações, sem precedentes. Existem corporações que têm tido resultados expressivos como, por exemplo, no Santander que criou há dois anos uma intranet para deixar seus funcionários melhor informados sobre as diretrizes adotadas pelo banco.

CEMP: Quais os retornos que isso pode trazer para a empresa?

Márcio – A aplicação de ferramentas de novas tecnologias pode ser útil para diminuir barreiras e encurtar distâncias, principalmente em empresas que tem filiais espalhadas. Servem também para conciliar informações importantes para a empresa num mesmo canal e ampliar as possibilidades de que este público tenha estas informações em primeira mão. De fato, estas ferramentas podem ajudar no alinhamento da cultura organizacional e na interação com os mais diversos públicos.

CEMP: Para você, quais são as perspectivas e oportunidades para os profissionais de comunicação dentro do ramo de petróleo, uma vez que o
Brasil está se destacando na produção e descoberta de novas reservas.
Márcio: Tem muita coisa. É um ramo de atividade pouco explorado pelos profissionais de comunicação. Todos os concursos que a Petrobras abre têm vaga para comunicação. Mesmo com todos os profissionais de comunicação que ela tem, a empresa ainda terceiriza grande parte de sua comunicação porque as empresas que trabalham no setor de energia precisam explicar o seu negócio. Essas empresas têm uma demanda urgente que é sair do nicho do petróleo e entrar no nicho da energia porque o petróleo vai acabar. A Petrobras já faz isso há muito tempo. Fez uma campanha fantástica há cerca de quatro ou cinco anos na qual colocou, no samba da Mangueira, o enredo da energia: “A energia do samba é combustível do amor. Sou mangueira…” Ali ela já estava deixando de ser uma empresa de petróleo e passando a ser uma empresa de energia. E ela começa a assinar “A energia é o nosso negócio”. Toda essa demanda do setor de óleo e gás é uma demanda de comunicação. O papel deste profissional da comunicação é atuar como ponte entre essas empresas e a sociedade explicando esse negócio, fazendo ações de responsabilidade sócio-ambiental e passando essa cultura que as empresas querem ter para que a população entenda o negócio de outra forma.

CEMP: Para você, como as empresas do ramo petrolífero vêem a presença de um profissional de comunicação em seu organograma?
Márcio: De maneira geral, os organogramas das empresas são muito parecidos. A comunicação vem ocupando lugar de destaque. O profissional da comunicação está lá em cima, ele faz parte do gabinete de crise, ele interage o tempo todo com o board da empresa. O que acontece lá em cima, ele sabe. Se não souber, eles estão quebrados.

CEMP: Deixe uma mensagem para os visitantes do site.
Márcio: Eu acho que é importante que as pessoas que vivem no ambiente da comunicação passem a olhar a comunicação de uma forma mais abrangente. Tem que parar de pensar que “eu sou jornalista e não me contamino com o pessoal da publicidade”, “eu sou publicitário e não me contamino com o pessoal de RP” ou “eu sou RP e não me contamino com nenhum dos dois porque eu penso a estratégia”. O comunicador hoje tem um papel fundamental que é ser comunicador, sem ter nomenclatura, sem rótulos. A comunicação tem que deixar de ter rótulos para que consiga alcançar seus objetivos. A comunicação só funciona de forma integrada, só funciona mercadologicamente se as pessoas entenderem que ela é o todo e não uma parte. Só enxergando a comunicação como um todo é que os profissionais de comunicação vão conseguir ocupar um lugar de destaque no mercado.

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